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MULHER CONTEMPORÂNEA: coragem, ousadia e sensualidade

Se uma conversa com um/a repórter começasse assim: “- O que se opõe a mulher tradicional?”. Eu responderia de imediato: “- Mulheres, seria um bom início de resposta para você?”.

A sociedade contemporânea oferece para “o homem” e “a mulher” diversas possibilidades de “vir a ser”, modos de viver, modos de ver, modos de sentir o mundo. Assim, precisamos aprender a falar no plural: homens e mulheres!

Estamos vivenciando uma profunda e necessária reflexão sobre o conceito de gênero [social], que foge ao padrão consolidado no conhecimento de senso comum do que é ser mulher e ser homem, de tudo o que a sociedade sempre impôs para cada um desses papéis sociais. Acontece que agora, a gente está mais preparada para conversar sobre isso, não acha? Muitos mais de nós estamos conversando sobre gêneros nos bares, nas escolas e em rodas familiares. Que bom! Principalmente porque estamos dizendo: discordamos de vocês e queremos ser outros… e mal o tempo passa: Vraaá! Já somos outrxs!

Agora, uma digressão apresentada de modo simples: o mundo contemporâneo implica numa mudança de comportamento do homem e da mulher, aproximando padrões de consumo e estilos de vida. Isso pode ser um perigo! Precisamos estar atentxs. As nossas transformações não estão a serviço do mercado… mas o mercado pode se beneficiar com isso… e está fazendo de modo rápido e eficiente.

Pois bem, chegamos ao ponto principal da questão: o que é a mulher contemporânea? Não sei. Estamos nos inventando agora. Estamos resistindo! Há muitos novos conservadorismos (fora de época!!!). Todo esse processo afeta no que somos e no que seremos. Então, não dá para dizer que há apenas uma mulher. Somos múltiplas muitas e nos inter-relacionamos de modo fluido e contínuo.

Por mais que digam que as mulheres e suas lutas estão descritas de modo fragmentado, eu vejo uma coisa muito próxima, muito junta… E, agora, com a proximidade das lutas LGBT, é fundamental que estejamos todas de portas escancaradas para outras possibilidades de coexistências… Essa multiplicidade entrelaçada só se multiplica… Seria uma insanidade querer categorizar grupos, segmentar, tipificar. Deixa ser… Deixar experienciar… Deixa viver essa coisa toda sem nome, sem fronteira…

Mas – se você pede – imaginemos estereótipos extremos.

Pensemos naquela mulher submissa à instituição patriarcal, respeitando – de forma submissa – seu pai, seus irmãos e depois seu marido e seus filhos homens. Uma mulher formada em escola cristã (o que acontecia com as mulheres da elite brasileira), sobre os preceitos da moral e dos bons costumes; dedicada ao lar. Ciente de que o fundamental não é a informação, mas a educação para a harmonia de sua família. Uma mulher que almeja o sucesso dos homens da sua família, bons casamentos para as suas filhas e toma por felicidade a representação matrimonial, seja lá o que isso possa representar em termos de amor ou prazer.

Por outro, temos a mulher independente, forte. Preparada para enfrentar os desafios da vida e disputar os espaços públicos com os homens. Uma mulher preocupada com a formação, a informação, a sensibilidade, a beleza, o afeto, o prazer. Um sujeito completo, mas sobrecarregado de obrigações sociais. Em luta – constante – por liberdades e direitos. Uma mulher socialmente engajada. Essa mulher não quer ser o homem do passado, nem o homem do futuro… Ela quer ser uma mulher e estar no espaço social que a mulher já deveria ter conquistado há muito tempo, sendo mulher.

O primeiro estereótipo de mulher ficou demodê… o segundo é apenas uma possibilidade: você pode criar qualquer outra. Você é livre, corajosa e ousada! Voe!

 

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Ana Paula Rabelo

Doutoranda pelo PPGL/UFC


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